segunda-feira, 21 de março de 2011

2º capítulo:“Hayden deixou de me agarrar. Deixou cair os braços em forma de derrota…”

Como lhe chamar?! Talvez visão? Não, provavelmente pesadelo ou tortura seria mais adequado. Perdi completamente a noção do quando, onde e porquê. Só me lembro daquilo que me encheu a mente: uma “maca” num quarto desconhecido, o meu pai ao meu lado a acalmar-me e… oh meu Deus, com uns dentes afiados e enormes que pareciam presas. E eu, com uma afinidade e ternura enorme olhava-o enaltecida, pois ele tinha algo na cabeça que, porquê não sei, me induziu em poder. Já não tinha o bigode adorável e farfalhudo que eu tanto gostava… e de repente houve um corte… todas aquelas imagens me pareceram um conjunto de flashes.
Quando tentei voltar àquele conjunto de flashes, apercebi-me que o Civic que eu guiava me tinha dirigido para fora da Estrada Nacional, entrado no desvio para a praia e estacionado no parque de estacionamento mesmo ao nível da areia. Devido a isso, não vi o que me acontecia na visão/pesadelo/tortura pelo qual tinha passado.
Enquanto caminhava em direcção a Hayden, apenas me lembrei do turbilhão de cores que se assolou no meu cérebro. Era tempo de os pôr de lado e voltar à realidade de vida que teria de ser mais bem justificada do que aquilo para o qual eu tinha argumentos.
H, o meu melhor amigo H…
æææ
Hayden estava tão perdido nos seus pensamentos que se assustou quando falei:
- Oi H, chegaste cedo.
- Que susto Sam! Pois, sou pontual… Sabes como é. Então, o que me querias dizer?!!
Ok, estava mesmo desconfortável com esta situação. Como é que lhe ia explicar isto?
- Bem H, sei que vais ficar zangado, ou ofendido, ou chateado, ou frustrado, mas…
- Mas?
Não conseguia falar mais. Tinha um nó na garganta. As cordas vocais latejavam de fraqueza. Tinha as lágrimas quase a cair. Agarrou-me nos ombros e disse:
- Sam! Fala comigo. O que se passa?!
- H, eu… eu… eu não posso vir trabalhar contigo.
Vi-lhe passar sentimentos mais diversos que as cores e tonalidades do arco-íris: tristeza, desespero, curiosidade, mágoa, tristeza outra vez…
- O quê?!!!
Foi desta. Rompi em lágrimas. Solucei tanto devido ao choro que me doeu o abdómen.
- Hayden, desculpa… Mas não posso. – Consegui eu dizer.
- Sam, porquê?
- H, não posso. Não sei bem porquê. Mas não posso. Vou embora.
Ele ficou de rastos. Triste. Magoado.
- Vais para onde?! – Vi-lhe uma centelha de desespero. Ele estava ali, à minha frente, a tentar saber o que eu não podia dizer há um tempão.
- H, eu queria contar-te. Mas não posso. A sério que não posso.
Hayden deixou de me agarrar. Deixou cair os braços em forma de derrota e virou-se para observar o horizonte. Desta vez, fui eu quem lhe agarrou nas mãos.
- H, olha para mim. Sei que não é fácil para ti – comecei – mas para mim também não. É muito complicado.
Não me encarou. Fez-me pensar como eu era horrível para ele.
-H, tenta compreender… Por favor.
Virou-se para mim com os olhos a transbordar de lágrimas e mágoa.
- Compreender o quê, Sam? Aquilo que não me queres dizer? Compreender aquilo que não entendi?
- Hayden, imagina que, além de ser proibido falar nisso, era um mistério para ti. Nem sequer sabes para onde vais, com quem ou porquê… vou estudar… Mas não sei bem o quê, nem porquê.
Ele estava a sofrer. Claramente. Baixou-se para tocar na areia.
-Porque é que me estás a fazer isto Sam? Diz-me. Já pensaste naquilo que querias e no que queres agora? O que é que te fez mudar a tua opinião?
- H, eu recebi umas cartas e uns e-mails… oh meu Deus Hayden, não posso dizer mais nada. Quem me dera poder dizer.
-Já disseste tudo o que me podia magoar? Ou ainda falta mais alguma coisa?
-Oh Hayden, tu és o meu melhor amigo e…
- Não, não sou Samantha. Parece que já não o sou. Temos segredos um para o outro e eu não sabia. Ou então não sou o confidente certo para ti, Sam. Adeus.
E virou-se para o parque de estacionamento.
- Hayden, espera!
Mas não esperou. Fui atrás dele, mas quando finalmente o apanhei, já estava dentro do seu carro. Bati ao vidro, mas ele não abriu. Abri-lhe a porta, até que ele me olhou.
-O que foi Sam? Achas que ainda não me magoaste o suficiente?
- Hayden, não vou forçar mais. Não queres falar comigo. Compreendo. Mas eu tenho os teus contactos; sei onde moras; quem são os teus amigos. Eu não te vou perder Hayden. Não agora.
Fechei-lhe a porta e ele foi embora.
Voltei ao meu discreto Civic e estava aberto. Eu tinha a certeza que o tinha fechado. Não restava mais ninguém ali. Apenas eu. Talvez me tivesse esquecido.
No banco do pendura, estava uma carta. Agarrei-a e abri-a:
“ Menina Windsor:
O sofrimento que o seu amigo Hayden Dickson está a passar será atenuado. Mandámos um bilhete em seu nome a explicar que a menina Windsor iria para uma Universidade estudar Investigação. Desta forma, e uma vez que a vossa amizade é realmente forte, deixaremos que mantenha contacto com ele, embora que esse contacto tenha que ser muito restrito. Ele ligar-lhe-á a pedir para se encontrarem novamente, e aí já não estará sozinha.
Os Directores
Dr. Shamus Christensen
Drª. Winnifred Boyden

Mas seria possível que, a cada vez que me questionava, esta “Universidade” estava sempre por perto?
Quis gritar. Gritar até não poder mais. Gritar até as minhas cordas vocais dilatarem e a garganta sangrar. Mas não o fiz. Com que então não ia estar sozinha?! Quem é que ia aparecer e salvar-me algo que eu não consegui: a minha amizade com Hayden?
Liguei a ignição e quis sair dali o mais depressa possível. Confesso que não estava a prestar a devida atenção à minha condução; mas de qualquer forma sempre conduzi dentro dos limites, por isso, não me ia espetar contra a árvore mais próxima. Quando estava quase a sair do desvio que me tinha conduzido à praia, senti um embate. Parei tão repentina e bruscamente! Oh meu Deus, entrei em pânico; atropelei uma pessoa! Saí de imediato, e fui à frente do carro. Estava um pouco para o amolgada do lado esquerdo. E o rapaz estava a levantar-se… oh Deus, era ele. Era o rapaz sem nome que eu havia visto há uns dias atrás da minha janela. Acho que emocionalmente estava pior eu que ele.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Visitem e não se arrependem...blog de uns amigos

É o blog do Patrick, Pascoal, Pe e Tiago.
São da turma da Kika e são uns expert na matéria.
:)
não se arrependem

http://ppltp.blogspot.com/

Boas Leituras
:)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Final do 1º capítulo

Abri a caixa de correio electrónico e, no momento em que acedia ao ícone da minha conta, recebi uma chamada do meu pai. Esta chamada era um gasto de tempo, mas ok, era o meu pai, tinha que atender:
            - Sam, querida!?
            - Sim pai, sou eu! – óbvio que era eu, aquele era o meu telemóvel, certo?! – Aconteceu alguma coisa? – perguntei.
            - Não filhota. Era só para te lembrar que a tua mãe não vai jantar por causa da natação. E eu também não: o posto de socorro pediu a minha comparência, bem como a de dois homens que eu quisesse recrutar, para uma reunião. Tens que jantar sozinha. Não te chateias, pois não?
            - Não, pai, vai lá! Eu também vou sair e não sei se chego a horas de jantar!
            - Hum… e vais aonde? – quis saber o meu pai.
            - Vou ao cinema com o pessoal da minha ex-turma! – tive que lhe mentir; mas na verdade, eles não seriam mais da minha turma; eu ia para aquela escola!
            - Ok, eu só liguei para te dizer que ias ficar sozinha, mas se vais ao cinema...
            - Vá, pai, tenho que desligar… Bom trabalho!
            - Portem-se bem… Se precisares de dinheiro, passa por aqui, que eu deixo-te uns trocos no meu gabinete.
            - Sim, pai, obrigado.
Eu não era de mentir, mas após terminar a chamada do meu pai, liguei ao Patrick. Atendeu rapidamente. Bolas, os miúdos de hoje em dia têm sempre o telemóvel com eles.
            - Ei Sam, precisas de alguma coisa?
            - Pois, por acaso até preciso… Preciso de uma ajudinha…
            - Diz… Ajudo naquilo que for necessário.
            - Hum… pois… sei que não é estético nem bonito da minha parte, mas tenho que sair e devo chegar tarde. E a primeira coisinha que me ocorreu foi dizer que ia sair com vocês… tu sabes, o nosso pessoal e tal…
            - Sim e… tu queres que eu minta contigo no caso dos Senhores Pais Enganados Pela Filha Perfeita me ligarem, certo?
            - Bingo! Por acaso era isso mesmo… importas-te de me fazer esse favor?
            - Não, nadinha mesmo.
            - Muito obrigado, Patrick! – alvitrei eu – Devo-te uma! Mas agora tenho que desligar. Um beijo… E obrigado.
Após o meu colega de escola desde o 1º ano (e que eu, bem como várias outras pessoas achavam, tinha um fraquinho por mim) me ter safado desta, peguei num papel e numa caneta e escrevi um bilhete aos meus pais:
“Fui sair com o meu pessoal: Patrick, Anna, Jane e John. No caso de chegarem mais cedo que eu, deixei comida feita na primeira prateleira do frigorífico.
Um beijo
S.”
            A minha sorte é que a hora de jantar habitual era às 6.00h. Deixei o recado no hall de entrada, ao lado dos papéis que se utilizavam para escrever lembretes e deixar recados (como este) e dirigi-me ao meu quarto. Instalei-me na secretária já antiquada, mas bem conservada e cliquei no e-mail que tinha recebido da “ Universidade de Ajuda à Investigação”. Quando o tentei imprimir, fiquei boquiaberta: o e-mail tinha sido eliminado, após a minha tentativa. “Um mau começo” – pensei. – “Mas ainda tenho as cartas, por isso, vou já fotocopiá-las. Pelo menos não se podem apagar.” Boa, estava enganada… nem sequer lhes pus a vista em cima. Tentei novamente o meu correio electrónico: posha, uma mensagem de um tal endereço de sc_uai@hotmail.com. Universidade de Ajuda à Investigação?! Oh bem, o que é que seria desta vez?!!
            “Cara menina Windsor:
            Soube da sua tentativa de informação a Hayden Dickson, o seu melhor amigo, sobre a sua entrada nesta Universidade, pelo que tive que agir com uma vincada rapidez, apagando automaticamente o e-mail enviado. Em relação às cartas, esqueça qualquer tipo de plano para as rever, pois ambas tinham um dispositivo de devolução caso houvesse a ocorrência de algum problema, pelo que este foi accionado.
            Aviso também que o motorista vai buscá-la um dia mais cedo que o previsto, pois houve uma mudança de planos.
            Anseio conhecê-la. Saiba também que poucas ou nenhumas são as pessoas que se atrevem a passar pelas nossas ordens.
Cumprimentos
Shamus Christensen
P.S. Terei muito gosto em estar próximo de si nos próximos meses. As suas capacidades parecem ser inigualáveis.”

Estranho. Se bem me lembrava este tal “ Shamus Christensen” assinava-se sempre por Dr. antes do nome. Lembrei-me de procurar as cartas, mas rapidamente recordei o facto de que já não as tinha.
Olhei para o meu relógio: 6.43h. Era melhor despachar-me a ir ter com Hayden.
Enquanto me dirigia ao ponto de encontro pensava como seria a conversa. Quando imaginei as diversas expressões faciais que Hayden fazia, pareceu-me entrar num sonho.
E acabei por não ir à loja de desporto.